a cidade e as terras

Fevereiro 10 2010

Subitamente uma saída discreta a meio do jantar. No regresso, a resposta à pergunta sobre o motivo da ausência: “fui só regar a couve-for”. 

Ainda o café não estava tomado e a despropósito a saída. “Vou só a casa buscar o portátil”. “Mas, para que queres o portátil, podes ir ao nosso fixo”. ”Obrigado, são só dez minutos para colher o milho”.

O engraçado é que depois de numa sala alguém estar perante o portátil duas horas, tem a distinta lata de dizer que aquilo não é viciante, que se perde pouco tempo. A coisa até será divertida, mas confesso preferir passar o meus tempos livres a fazer outras coisas, ou mesmo a não fazer nada.

Desde há uns dois anos assistir a cenas igualmente caricatas por causa do Travian, vulgo “jogo das aldeias”, com gente a discutir pactos, ataques combinados, a permanecer acordada até às cinco da manhã para a essa hora não deixar a aldeia abandonada. Desde aí que julgo haver um estado de demência alargado, um torpor perante o resto, uma alienação. A minha tendência seria criticar tudo isto de forma veemente, até que abordei a questão de outro lado, percebendo que talvez fosse este um caminho para diminuir o desmesurado consumo de anti-depressivos. Talvez a solução para a generalizada angústia social esteja nestes jogos disparatados com cavalos cor de rosa e carrosséis no meio de quintas. Talvez afinal tudo isto tenha um papel social, difícil de perceber, mas importante.

publicado por Joao AC às 22:41

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palavras soltas de um provinciano acomodado a Lisboa com uma grande compulsão para sair a correr terras
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