a cidade e as terras

Janeiro 15 2010

 Há algum tempo que estava para nascer. A preguiça, a eterna e firme preguiça, ia adiando o inevitável. Dúvidas sobre a escolha do template e das cores, qual a fotografia certa para o cabeçalho. Hoje o dia pareceu-me bem. Chove e está desagradável, mas a sardinha portuguesa vai ter certificação de qualidade. Neste tempos em que há dias para tudo acho bom presságio começar um blog no dia da sardinha. Nada mais português, comido gulosamente por cidades e terras deste cantinho. Quase me apetecia mudar o nome do blogue para o "blogue da sardinha". Uma vez mais a preguiça não me deixa, armada em consciência crítica da mudança. Fico muitas vezes na dúvida se quem vai ganhando é a preguiça ou uma irreprimível tendência conservadora. Voltando à sardinha, que na época diluviana se vai consumindo mais em latas da sempre recomendável Conserveira de Lisboa - por falar nisso, estou já sem stock e com muitas saudades das petingas compradas da última vez -, só espero que esta moderna certificação não leve a que os estrangeiros descubram esta preciosidade e resolvam arrasar com os nossos stocks, com perigosas consequências para a nossa sanidade gastronómica e para as nossas festas populares. Gosto quando nos reconhecem, em particular por reconhecerem não só o peixe, como as formas de pesca e sustentabilidade de recursos, mas receio por um aumento desmesurado dos preços ou por uma escassez de oferta que nos estrague a vida lusitana. Sei que não será muito altruísta, mas às vezes é melhor as coisas boas ficarem em segredo, apenas ao alcance de alguns privilegiados que têm o conhecimento da coisa e dos labirintos que a elas conduzem,  como nos conduzem ao Europa, ali para Campo de Ourique, ou ao Pátio 13, lá por Alfama, na demanda da boa e pequena sardinha. O que vale é que quase ninguém lerá isto e que estes sítios continuarão cheios pelos habituais que já sabem o caminho para a sardinha como deve ser. Este texto era sobre um blogue e transformou-se numa ode à sardinha portuguesa. Enfim, serão estas idiossincrasias que passarão por este blogue, serão devaneios entre a cidade e as terras, desta terra, doutras terras e até de outros mundos.

publicado por Joao AC às 19:57

palavras soltas de um provinciano acomodado a Lisboa com uma grande compulsão para sair a correr terras
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