a cidade e as terras

Fevereiro 01 2010

Nunca acreditei. Sempre achei um exagero de pessoas que até tinha por credíveis. O entusiasmo que levava a debitar insanidades que contrariavam toda a estatística e o bom senso. Chegava a dizer que sim para não alimentar discussões bizantinas que nada levariam senão a irritações de parte a parte. Até que fui lá. E voltei. E espero voltar mais vezes e o mais breve possível. O Rio não é uma cidade, é um sítio que se torna uma doença. Basta ir, estar e, enfim, que tudo corra bem sem assaltos nem sobressaltos.

Neste inverno que parece eterno dou por mim a sonhar com a praia de Ipanema, com os choppes do Jobi, com caiprinhas de morango, com o Sushi Leblon, com Santa Teresa, com as noites da Lapa. Acordo de sonhos quase reais que me levam ao sol e à essência de ser carioca. Ouço Bossa Nova no silêncio e canto Bossacucanova com se estivese sozinho no mundo. 

O Rio faz mal, como uma droga que é tão boa que se torna viciante. Por isso já tenho cuidado em dizer bem dele alto, em recomendar, em explicar porque é bom. Não pelo egoísmo de esconder um segredo, mas pelo medo das consequências irreversíveis que uma ida ao Rio pode ter nas pessoas. Lembro a problemáticas dos pobres a quem mostram a boa vida e que depois não se conseguem voltar a habituar à sua vivência miserável. Depois do Rio o que nos resta? Lisboa é uma cidade fantástica, mas são muitos os momentos do ano em que nos apetece vender tudo e apanhar o primeiro avião para a descontracção. Isto vai mais longe do que ser uma doença crónica, isto é uma droga, forte e aditiva, porque estupidamente boa.

Chegado aqui, e para continuar, é preciso ouvir e depois gritar: “Chega de Saudade”. 

 

publicado por Joao AC às 19:36

palavras soltas de um provinciano acomodado a Lisboa com uma grande compulsão para sair a correr terras
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